Em processos industriais e laboratoriais nos quais a temperatura interfere diretamente na qualidade, estabilidade, segurança ou desempenho de produtos e equipamentos, não basta apenas visualizar a temperatura indicada em um controlador. É necessário comprovar, por meio de medições documentadas, que o equipamento funciona adequadamente e consegue manter as condições previamente definidas para sua aplicação.
Nesse cenário, dois termos aparecem com frequência: Qualificação Térmica e mapeamento térmico. Embora estejam relacionados, eles não representam exatamente o mesmo procedimento. Entender essa diferença é importante para determinar qual avaliação deve ser realizada em estufas, autoclaves, câmaras frias, refrigeradores, freezers, incubadoras, câmaras climáticas, termodesinfectoras e outros equipamentos que trabalham com aquecimento ou refrigeração.
O mapeamento térmico concentra-se principalmente na distribuição da temperatura dentro de determinada área ou equipamento, permitindo identificar diferenças entre pontos de medição, regiões mais quentes, regiões mais frias e possíveis desvios. A Organização Mundial da Saúde descreve o propósito de um estudo de mapeamento de temperatura como a documentação e o controle da distribuição térmica dentro de uma área de armazenamento.
Já a Qualificação Térmica possui uma abordagem mais ampla. Dependendo do equipamento, do processo, dos requisitos do usuário e das normas aplicáveis, ela pode verificar desde a instalação até a operação e o desempenho em condições previamente estabelecidas.
A própria ITI Serviços apresenta sua qualificação de equipamentos térmicos dividida em Qualificação de Instalação, Qualificação de Operação e Qualificação de Desempenho, sendo o mapeamento térmico utilizado na avaliação do desempenho.
Por isso, compreender onde cada procedimento se encaixa ajuda a indústria a melhorar a confiabilidade das medições, organizar sua documentação técnica e definir corretamente o escopo dos ensaios.
O que é Qualificação Térmica?
A Qualificação Térmica é um processo documentado utilizado para verificar se determinado equipamento ou sistema relacionado à temperatura está instalado corretamente, funciona dentro dos parâmetros estabelecidos e apresenta desempenho compatível com sua utilização prevista.
Seu objetivo não é simplesmente registrar temperaturas durante algumas horas. O trabalho deve partir de critérios previamente definidos, métodos de ensaio, instrumentos adequados e condições representativas do processo que será avaliado.
A qualificação permite reunir evidências sobre o comportamento do equipamento e comparar os resultados obtidos com os critérios determinados no protocolo.
A Anvisa define, em seus materiais técnicos relacionados à qualificação, etapas como Qualificação de Instalação, Qualificação de Operação e Qualificação de Desempenho. Na Qualificação de Desempenho, busca-se evidência documentada de que instalações, sistemas ou equipamentos conseguem funcionar de maneira consistente dentro das especificações estabelecidas para sua rotina de trabalho.
Isso demonstra por que a Qualificação Térmica deve ser entendida como um conjunto estruturado de verificações, e não somente como uma coleta de temperaturas.
Quais são as principais etapas da Qualificação Térmica?
O escopo precisa ser definido de acordo com o equipamento, a aplicação e as exigências pertinentes ao processo. Dentro da metodologia apresentada pela ITI Serviços, três etapas são especialmente importantes.
A primeira é a Qualificação de Instalação, conhecida como IQ ou QI. Nessa fase, são verificadas e documentadas as condições de instalação do equipamento. Podem ser avaliados aspectos relacionados à infraestrutura, identificação, componentes, acessórios e especificações pertinentes.
A segunda é a Qualificação de Operação, ou OQ/QO. O objetivo passa a ser verificar o funcionamento do equipamento. Dependendo do caso, podem ser avaliados controles, alarmes, dispositivos de segurança, parâmetros operacionais, ciclos programados e comportamento nas condições estabelecidas pelo protocolo.
A terceira é a Qualificação de Desempenho, ou PQ/QD. É nessa etapa que ganha destaque a avaliação da distribuição térmica e da capacidade do equipamento de apresentar resultados consistentes nas condições determinadas.
A ITI Serviços informa que sua Qualificação de Desempenho inclui mapeamento térmico para avaliação de aspectos como estabilidade, uniformidade de temperatura, distribuição térmica, tempos de recuperação e comportamento do sistema durante ciclos críticos.
Assim, o mapa térmico pode fornecer dados fundamentais para a qualificação, mas representa uma parte de um processo que pode ser significativamente mais abrangente.
O que é mapeamento térmico?
O mapeamento térmico é um estudo realizado por meio da distribuição estratégica de sensores de temperatura em diferentes pontos de uma área ou equipamento.
Esses sensores registram a temperatura durante um período previamente determinado. Posteriormente, os dados são analisados para compreender como o calor ou o frio se distribui no espaço avaliado.
Com isso, é possível identificar, por exemplo, diferenças de temperatura entre regiões, pontos quentes, pontos frios, oscilações, estabilidade e uniformidade térmica.
A quantidade e a posição dos sensores não devem ser determinadas aleatoriamente. O planejamento precisa considerar dimensões, características construtivas, localização das fontes de aquecimento ou refrigeração, circulação de ar, posição de portas, condições operacionais e finalidade do equipamento.
O mapeamento responde principalmente a uma pergunta: como a temperatura está distribuída dentro desse ambiente ou equipamento durante as condições analisadas?
Essa informação é particularmente relevante quando diferentes posições precisam permanecer dentro de limites definidos.
Afinal, qual a diferença entre Qualificação Térmica e mapeamento térmico?
A principal diferença está na abrangência.
O mapeamento térmico é um estudo voltado à medição e análise da distribuição da temperatura. A Qualificação Térmica, por sua vez, procura demonstrar de maneira documentada que o equipamento apresenta condições apropriadas de instalação, operação e/ou desempenho conforme o escopo estabelecido.
De maneira resumida:
| Aspecto | Qualificação Térmica | Mapeamento térmico |
|---|---|---|
| Objetivo | Avaliar e documentar a adequação do equipamento | Avaliar a distribuição da temperatura |
| Abrangência | Mais ampla | Mais específica |
| Instalação | Pode ser verificada | Normalmente não é o foco principal |
| Funcionamento | Pode incluir testes operacionais | Avaliado principalmente pelo comportamento térmico |
| Distribuição térmica | Pode fazer parte dos ensaios | É o foco principal |
| Pontos quentes e frios | Podem ser identificados | São elementos importantes do estudo |
| Resultado | Evidências da condição e desempenho do equipamento | Perfil térmico da área avaliada |
Portanto, não é tecnicamente adequado tratar os dois termos como sinônimos em todas as situações.
Em muitos projetos, o mapeamento térmico integra a etapa de desempenho da qualificação. Em outros casos, um cliente pode precisar especificamente de um estudo de distribuição térmica, sem que isso represente necessariamente a execução completa de todas as fases de uma qualificação.
Como funciona o mapeamento dentro da Qualificação de Desempenho?
Na Qualificação de Desempenho, é necessário verificar como o equipamento se comporta nas condições definidas para o estudo.
Sensores são posicionados estrategicamente e passam a registrar temperaturas durante o período determinado pelo protocolo. A análise desses registros permite visualizar se existem diferenças relevantes entre os pontos monitorados.
Imagine, por exemplo, uma câmara fria. O controlador pode indicar determinada temperatura em seu ponto de medição, mas essa informação isolada não demonstra necessariamente que todas as regiões internas permanecem nas mesmas condições.
O mapeamento permite verificar essa distribuição.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado a estufas, refrigeradores, freezers, incubadoras e câmaras climáticas: o valor mostrado pelo indicador não substitui a avaliação da distribuição térmica em diferentes posições.
Esse estudo fornece evidências importantes para determinar o comportamento real do equipamento.
Qual é a importância dos sensores utilizados no estudo?
A confiabilidade de qualquer avaliação térmica depende diretamente da qualidade das medições realizadas.
Por esse motivo, os instrumentos utilizados precisam apresentar condição metrológica compatível com a finalidade do ensaio.
Um sensor sem informações adequadas sobre seu desempenho metrológico pode gerar dúvidas sobre os resultados registrados durante o estudo.
A calibração entra justamente nesse ponto. Ela permite estabelecer a relação entre os valores indicados pelo instrumento e os valores fornecidos por padrões de referência, dentro das condições especificadas.
Calibração e qualificação são atividades diferentes, mas podem estar diretamente relacionadas.
A calibração avalia o instrumento de medição. A qualificação avalia o comportamento de um equipamento ou sistema dentro do escopo estabelecido.
A ITI Serviços informa utilizar instrumentação rastreada à Rede Brasileira de Calibração em seus trabalhos de qualificação, além de apresentar serviços de calibração em conformidade com requisitos da ABNT NBR ISO/IEC 17025.
Essa integração entre metrologia e avaliação térmica contribui para aumentar a confiabilidade dos registros obtidos.
Quais equipamentos podem passar por Qualificação Térmica?
A necessidade depende da utilização do equipamento e dos requisitos técnicos e regulatórios aplicáveis ao processo.
Segundo o portfólio divulgado pela ITI Serviços, a empresa realiza Qualificação Térmica em equipamentos como:
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estufas;
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autoclaves;
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muflas;
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geladeiras e refrigeradores;
-
câmaras climáticas;
-
câmaras frias;
-
incubadoras;
-
freezers;
-
ultrafreezers;
-
termodesinfectoras.
Cada equipamento apresenta características diferentes.
Uma autoclave, por exemplo, possui condições de operação e objetivos distintos de uma câmara fria. Por isso, não existe um único protocolo que possa ser aplicado da mesma maneira a todos os equipamentos térmicos.
Faixa de temperatura, duração dos ciclos, capacidade interna, configuração, utilização pretendida, distribuição dos sensores e critérios de aceitação precisam ser definidos conforme cada situação.
Quando o mapeamento térmico deve ser considerado?
O mapeamento pode ser necessário sempre que seja importante conhecer a distribuição real da temperatura em diferentes pontos de um equipamento ou espaço controlado.
Entre as situações que podem motivar um estudo estão a instalação de um novo equipamento, mudanças relevantes na configuração, manutenção que possa interferir no desempenho térmico, alterações no sistema de controle ou necessidade de verificar novamente as condições de funcionamento.
Em áreas de armazenamento, o estudo também pode ajudar na escolha dos pontos utilizados para o monitoramento contínuo.
A Organização Mundial da Saúde destaca que estudos de mapeamento de áreas de armazenamento permitem identificar desvios de temperatura e possíveis problemas relacionados à distribuição térmica ou ao fluxo de ar.
A frequência da avaliação, entretanto, não deve ser generalizada para todas as aplicações. Ela depende das normas aplicáveis, análise de risco, procedimentos internos, características do equipamento, alterações realizadas e requisitos de cada setor.
É possível fazer apenas o mapeamento térmico?
Sim, dependendo do objetivo técnico definido.
Uma empresa pode precisar especificamente conhecer a distribuição térmica de determinado equipamento ou ambiente. Nesse caso, pode ser desenvolvido um estudo direcionado ao mapeamento.
Por outro lado, quando existe a necessidade de demonstrar formalmente que um equipamento está instalado corretamente, funciona dentro das condições previstas e apresenta desempenho satisfatório, apenas o mapa de temperaturas pode não abranger todos os requisitos necessários.
É justamente por isso que o escopo deve ser definido antes da execução.
Solicitar um “mapa térmico” quando a necessidade real é uma qualificação completa pode resultar em documentação insuficiente para o objetivo do processo.
Da mesma maneira, solicitar uma qualificação completa quando a necessidade é exclusivamente avaliar a distribuição da temperatura pode ampliar o escopo sem necessidade.
A correta definição inicial evita essas situações.
Qualificação Térmica é a mesma coisa que calibração?
Não.
Essa é outra confusão frequente.
A calibração de um sensor, termômetro, indicador ou instrumento de medição avalia sua resposta em comparação com referências metrológicas adequadas.
A Qualificação Térmica avalia um equipamento ou sistema dentro de condições estabelecidas.
Um refrigerador pode possuir um sensor devidamente calibrado e ainda assim apresentar diferenças significativas de temperatura entre sua região superior, inferior, próxima à porta ou próxima ao sistema de refrigeração.
Por isso, um instrumento calibrado não comprova sozinho a uniformidade térmica de todo o equipamento.
Da mesma forma, realizar um mapa térmico com instrumentos cuja condição metrológica não seja adequadamente conhecida pode comprometer a confiabilidade da análise.
Calibração, mapeamento e qualificação possuem funções diferentes e podem trabalhar de forma complementar.
Por que documentar todo o processo?
A documentação permite demonstrar exatamente o que foi feito, quais condições foram avaliadas, quais instrumentos foram utilizados e quais resultados foram encontrados.
Um trabalho tecnicamente estruturado deve permitir compreender o método utilizado e comparar os resultados com critérios previamente estabelecidos.
Dependendo do escopo, um relatório pode reunir informações sobre identificação do equipamento, configuração do ensaio, instrumentos empregados, posicionamento dos sensores, período de coleta, parâmetros avaliados, resultados, eventuais desvios e conclusão técnica.
Um conjunto de temperaturas sem contexto não oferece o mesmo nível de informação de um estudo documentado.
Essa documentação é especialmente importante em processos sujeitos a procedimentos internos de qualidade, auditorias ou requisitos regulatórios.
Em determinados segmentos de saúde, por exemplo, existem requisitos específicos de qualificação. A RDC 15/2012 da Anvisa estabelece qualificações de instalação, operação e desempenho para determinados equipamentos utilizados na limpeza automatizada e esterilização de produtos para saúde, além de requisitos relacionados à qualificação térmica e calibração.
Isso reforça a necessidade de verificar sempre qual regulamentação efetivamente se aplica ao equipamento e à atividade da organização.
Como a ITI Serviços atua em Qualificação Térmica e mapeamento térmico?
A ITI Serviços oferece serviços técnicos voltados à indústria nas áreas de calibração, Qualificação Térmica, Inspeção NR13 e manutenção e ensaios de válvulas.
Na área térmica, a empresa informa realizar qualificação de equipamentos utilizados em processos de aquecimento e refrigeração, trabalhando com etapas de instalação, operação e desempenho.
Na Qualificação de Desempenho, o trabalho contempla o mapeamento térmico para avaliação do comportamento do equipamento.
Outro ponto importante é a integração com a área de calibração. Os sensores utilizados para obtenção dos dados precisam oferecer confiabilidade compatível com o estudo realizado. Por isso, utilizar instrumentação com rastreabilidade metrológica contribui diretamente para a qualidade dos resultados apresentados.
Antes de iniciar um serviço, é importante identificar qual equipamento será avaliado, qual sua aplicação, quais condições de utilização devem ser consideradas e qual é o objetivo da avaliação.
Essa definição permite determinar se a necessidade envolve somente um mapeamento ou uma Qualificação Térmica com escopo mais abrangente.
Conclusão
Embora sejam frequentemente utilizados em contextos semelhantes, Qualificação Térmica e mapeamento térmico representam conceitos diferentes.
O mapeamento térmico possui como foco principal analisar a distribuição da temperatura em diferentes pontos de um equipamento ou área controlada. Por meio da instalação estratégica de sensores e da coleta de dados durante condições previamente determinadas, é possível avaliar uniformidade, estabilidade, oscilações e regiões que apresentam temperaturas mais altas ou mais baixas.
A Qualificação Térmica apresenta uma abrangência maior. Dependendo do escopo estabelecido, pode incluir a verificação das condições de instalação, testes de operação e avaliação do desempenho do equipamento. Nesse contexto, o mapeamento térmico pode fazer parte da Qualificação de Desempenho e fornecer informações fundamentais sobre o comportamento térmico real.
Também é importante diferenciar esses procedimentos da calibração. Enquanto a calibração está relacionada ao comportamento metrológico do instrumento de medição, o mapeamento avalia a distribuição térmica e a qualificação reúne evidências documentadas sobre a adequação do equipamento ou sistema.
Por isso, antes da contratação de qualquer serviço, a empresa deve definir com clareza o objetivo técnico da avaliação. Conhecer exatamente o que precisa ser comprovado evita confundir calibração, mapeamento e qualificação e facilita a elaboração de um escopo adequado.
A ITI Serviços atua com Qualificação Térmica em diferentes equipamentos de aquecimento e refrigeração, incluindo estufas, autoclaves, câmaras frias, refrigeradores, freezers, câmaras climáticas, incubadoras, muflas e termodesinfectoras, além de oferecer serviços de calibração, Inspeção NR13 e manutenção e ensaios de válvulas.
Com uma avaliação planejada de acordo com as características do equipamento e as necessidades do processo, a indústria consegue obter informações mais confiáveis sobre seu desempenho térmico, manter registros técnicos organizados e tomar decisões fundamentadas sobre operação, manutenção e controle de seus equipamentos.
Precisa realizar a Qualificação Térmica dos seus equipamentos?
Conte com a ITI Serviços para realizar Qualificação Térmica, mapeamento térmico e calibração de equipamentos e instrumentos utilizados em processos industriais. Tenha avaliações técnicas documentadas e adequadas às características de cada equipamento.
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